Herança Judaica em Portugal

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A Herança judaica em Portugal – herança Judaica Sefarad – que em Portugal remonta ao século XIII, compreende o património histórico e cultural de uma comunidade que deixou marcas profundas e decisivas para o desenvolvimento da náutica, da medicina e da economia de Portugal ao longo dos tempos.

Na fundação de Portugal as comunidades sefarditas, ou judeus da Península Ibérica, ajudaram ao povoamento do território conquistado aos mouros. Por isso beneficiaram da proteção real até 1496, data do Édito de Expulsão dos Judeus. Dessas comunidades de homens de negócio, de ciência e de letras, filósofos, médicos, astrónomos, saíram grandes contributos para a náutica e os Descobrimentos portugueses.

Convidamos a conhecer os vestígios dos antigos bairros onde moraram. Na toponímia das ruas ou na arquitetura, é visível por vezes a tipologia da habitação hebraica, com duas portas no piso térreo: uma larga para o comércio e uma estreita que levava ao piso superior, de uso doméstico. Também na ombreira das portas perduram inscrições associadas ao culto hebraico. Muitas delas atualmente em forma de cruz, sinalizam a cristianização dum antigo espaço de judeus.

A comunidade judaica tem existência legal em Portugal desde 1912.

PORTO

Cidade de cunho mercantil, não é difícil situar no Porto as comunidades de judeus que desde a Idade Média ajudaram ao desenvolvimento do burgo e da região. Na Rua do Monte dos Judeus, em Miragaia, existiu a Judiaria de Monchique já que ali foi encontrada uma epígrafe em língua hebraica, da sinagoga construída em 1380-86 (hoje no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa). Em volta da Igreja de Nossa Sra. da Vitória, entre o Mosteiro de S. Bento e a Rua de Belmonte, ficava a Judiaria Nova do Olival. Uma das portas ficava à entrada da Rua de S. Bento da Vitória e a outra no fim das Escadas da Vitória, ou “Escadas da Esnoga” (corruptela de sinagoga), tal como mostra a placa toponímica.

FREIXO DE ESPADA À CINTA

Abrigou na Idade Média uma importante comunidade de cristãos-novos, tal como inúmeras localidades ao longo da fronteira com Espanha cuja população aumentou imenso a partir de 1492, quando os judeus foram expulsos daquele país.

VILA NOVA DE FOZ CÔA

Nesta cidade existia uma judiaria no bairro do Castelo e aqui fica a capela de Santa Quitéria, onde pode ter-se situado a sinagoga. Também em Freixo de Numão, uma vila das imediações, a chamada “Casa Judaica” ostenta as marcas atribuídas à presença de judeus.

FORNOS DE ALGODRES

Também em Fornos de Algodres se podem encontrar em grande número as características marcas cruciformes, principalmente nas Ruas da Torre e de S. Salvador, onde se situa também a capela de S. Salvador, de planta quadrada, possível localização da antiga sinagoga.

TRANCOSO

Conserva ainda as muralhas e as portas do castelo medieval. Aqui se estabeleceram muitos judeus desde o séc. XIV, mas sobretudo nos séc. XV e XVI, vindos de Aragão e Castela. A judiaria situava-se na Corredoura, Ruas da Alegria, Cavaleiros e Estrela, onde se encontram perto de 300 vestígios cruciformes nas fachadas e portas. Numa casa situada na Praça de D. Dinis, nº 5, foi encontrado um pergaminho com a oração do “Shemá Israel”. A Casa do Gato Preto, na Rua Frei João de Lucena, ostenta na fachada símbolos interpretados como o Leão de Judá e as Portas de Jerusalém. O Poço do Mestre seria a possível nascente que alimentava o “mikvé”, o banho sagrado de purificação.

VISEU

Os primeiros testemunhos da presença judaica em Viseu datam do séc XIII. Nas imediações da Sé houve uma Judiaria Velha e outra Nova, que ocuparam as atuais ruas da Senhora da Boa Morte, Augusto Hilário, Nossa Senhora da Piedade (Judiaria Nova) e outras contíguas. D. Afonso V, em 1468, obrigou os judeus a fechar todas as portas e janelas que comunicassem com casas de cristãos, o que revela as querelas, comuns em todo o território, entre comunidades de distintos credos.